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sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Voz

Ouço uma voz potente;
sinto a terra estremecer;
vejo o mundo inabalável.
Será quem alguém me escolheu?

Sigo tentando fugir
mas esta voz continua a insistir,
refugio o desentender
pra novidade não se estabelecer
pois sou cauteloso,
pois sou inseguro.
Talvez seja até atraente
liquidar com o supor indolente;
não será absurdo dar ouvidos
a uma voz desconhecida,
vou, então, me abrir totalmente.

Frases incendiárias
me convenceram de que todas as falhas
afastavam a solução
que salvaria minha situação
muito dolorosa,
muito obscura.
Pra tudo há um porquê,
centamente alguém tudo vê;
não foi absurdo dar ouvidos
à esta voz desconhecida.

Afinal, quem é você
e onde você está?
- Olhe pra si mesmo
e encontrarás uma resposta,
não é alienação, não é.

Bem que tentei fugir
mas você continuou a insistir
abrigando a solução
que salvaria minha situação.
Fui mui cauteloso,
fui mui inseguro;
talvez este seja o porquê:
o supor não ousava entender.
Sim, foi absurdo dar ouvidos
a minha voz desconhecida,

afinal, você esteve
sempre ao meu lado;
não te conhecia
como agora te conheço
meu Pai, autor da voz,
meu Pai.

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